Space dedicated to all those who believe in a utopia. My story about a man called DENIS MUKWEGE,THE DEMOCRATIC REPUBLIC OF CONGO and a forgotten continent called AFRICA.
terça-feira, 27 de setembro de 2011
terça-feira, 9 de agosto de 2011
Como uma lei devastou o Congo
Aprovada pelo Congresso americano, sanção não está punindo os senhores da guerra, mas prejudicando a população local
Estado de São Paulo referente matéria do New York Times
09 de agosto de 2011
David Aronson, The New York Times - O Estado de S.Paulo
Há uma longa distância entre os saguões de mármore do Congresso americano e as sofredoras cidadezinhas mineiras da República Democrática do Congo (RDC), mas os moradores de Nyabibwe e Nzibira sabem exatamente o que devem culpar por suas mazelas econômicas.
A "Loi Obama", ou Lei Obama - como a lei da reforma de Wall Street Dodd-Frank veio a ser conhecida na região - inclui uma obscura provisão que requer que companhias de capital aberto indiquem as medidas que estão tomando para assegurar que os minerais de sua cadeia de suprimentos não beneficiam senhores da guerra na República Democrática do Congo, devastado por conflitos. A provisão surgiu em grande parte por causa do trabalho de organizações de ajuda humanitária influentes como o Enough Project e o Global Witness, que vêm trabalhando pelo fim do que chamam de "minerais de conflito".
Infelizmente, a lei Dodd-Frank teve consequências não intencionais, mas devastadoras, como pude ver em primeira mão numa viagem ao Congo neste verão. A lei provocou um embargo de facto sobre minerais extraídos na região, incluindo estanho, tungstênio e tântalo, fundamental para a fabricação de telefones celulares.
As companhias fundidoras que costumavam comprar da RDC deixaram de fazê-lo. Nenhuma quer ficar com a pecha de financiadora de senhores da guerra africanos - em particular empresas hi-tech glamourosas como Apple e Intel que são, com frequência, as compradoras finais desses minerais. É mais fácil deixar o Congo de lado do que destrinchar as complexidades da política congolesa - em especial quando os minerais podem ser facilmente obtidos em países mais seguros.
Para os moradores locais, a lei foi uma catástrofe. Na Província de Kivu do Sul, foi o que ouvi de uma porção de garimpeiros e compradores em pequena escala que costumavam ganhar alguns dólares por dia escavando minérios nas encostas das montanhas com ferramentas manuais. Por pequena que pareça, essa renda era uma tábua de salvação para pessoas de uma região que foi devastada por 32 anos de desmandos sob a cleptocracia de Mobutu Sese Seko (quando o país era conhecido como Zaire) e agora está começando a sair de uma luta interna e uma guerra brutal.
O pastor de uma igreja contou-me que mulheres estavam dando à luz em casa por não dispor dos US$ 20 para a maternidade; crianças estavam abandonando a escola porque os pais não conseguem pagar as taxas. As remotas cidades de mineração estão virtualmente separadas do mundo exterior porque os aviões que no passado as abasteciam não o fazem mais. O mais preocupante é que uma praga agrícola dizima periodicamente o produto de subsistência da região, a mandioca. Os aldeões que tiravam sua renda da mineração para comprar comida quando as colheitas fracassavam estão começando a passar fome.
Benefícios. Enquanto isso, a lei está beneficiando algumas das pessoas que ela pretendia penalizar. O principal beneficiário é o general Bosco Ntaganda, apelidado de "O Exterminador" e procurado pelo Tribunal Penal Internacional (TPI). Ostensivamente um membro do Exército congolês ele é, na verdade, um matador free lance com sua própria milícia étnica tutsi que oferece "segurança" a comerciantes que contrabandeiam minerais pela fronteira com a vizinha Ruanda. Tudo isso poderia ser um preço a pagar se a lei estivesse causando o efeito desejado de asfixiar economicamente os senhores da guerra que transformaram a República Democrática do Congo na zona de conflito mais mortífera desde a 2.ª Guerra. Como disse memoravelmente o deputado democrata de Massachusetts Barney Frank, pelo qual a lei foi parcialmente nomeada, "o objetivo é cortar o financiamento de pessoas que matam pessoas".
Quando o presidente Barack Obama sancionou a lei no verão passado nos EUA, o conflito tinha entrado numa fase diferente. A maioria das milícias que haviam causado devastações entre 2003 e 2008 foi incorporada depois disso ao Exército congolês. As duas ou três de alguma importância que persistem conseguem dinheiro com sequestros e extorsões, e não do controle de áreas de mineração ou rotas de transporte. A lei não barrou suas malfeitorias.
Os moradores do Congo concordam em que seria benéfico dar maior clareza e transparência ao comércio de minerais. Uma variedade de iniciativas internacionais e locais nesse sentido estava a caminho quando surgiu o embargo. Esses esforços podem se tornar agora uma baixa da lei Dodd-Frank.
Os chineses abriram recentemente um posto comercial em Kivu do Norte; eles também fabricam celulares, e não sentem necessidade de participar de esquemas de transparência como as companhias ocidentais. Como sabem que são o único mercado na cidade, estão comprando com grande desconto.
Raramente garimpeiros, comerciantes, companhias mineradoras e líderes da sociedade civil locais concordam em alguma questão. Mas há hoje na República Democrática do Congo uma condenação unânime à lei Dodd-Frank. O reverendo Didier de Failly, um sacerdote belga que viveu no Congo por 45 anos, advertiu insistentemente os grupos humanitários ocidentais sobre os perigos de sua campanha. Ele lhes disse que não lhes servia de defesa alegar que não estavam propondo um embargo, pois o que estavam fazendo levaria inevitavelmente a um.
Como os grupos humanitários conseguiram moldar o debate como uma disputa entre eles próprios e interesses corporativos gananciosos, ninguém se deu ao trabalho de solicitar a opinião dos congoleses locais. Como o líder de uma organização da sociedade civil, Eric Kajemba, perguntou-me, mais perplexo que zangado: "Se as organizações de ajuda humanitária não estão falando para o povo do Congo, para quem elas estão falando?"
TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK
JORNALISTA
quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
O ZUMBI
Por
Milton Paulo de Oliveira
O homem pós-moderno dá voltas sobre si. Isola-se em grandes metrópoles. A interação é escassa. As mídias o conferem o papel de voyeur. Dedica-se o tempo para o grande valor pós-moderno, o consumo. E esse consumo sustenta aqueles que o informam. O ciclo se fecha. O homem passa de consumidor - a nova denominação de cidadão - para consumido. Consumido no pensar, refletir e agir. Não há tempo para isso! O homem, como um zumbi, perdido caminha na era da informação.
terça-feira, 7 de dezembro de 2010
Paulo Pires e o Congo
Por
Paulo Pires
htwww.blogdopaulonunes.com/v3/2010/08/12/direto-da-praca-mundo-desigual-%E2%80%93-a-utopia-necessaria/
Paulo Pires é professor universitário
O Blog Cultura Zero Hora de 27/06/2010 traz na abertura de uma matéria sobre o Congo [Um país conflagrado] o seguinte: “Os médicos gaúchos Milton Paulo de Oliveira e Pablo Pase foram em 2008, à República Democrática do Congo, região central da África, como integrantes de uma missão humanitária organizada pelo grupo Smile Train (Trem do Sorriso), que se dedica a atender portadores de fissura labiopalatina (popularmente conhecida como lábio leporino)”.
Oliveira e Pase realizaram dezenas de cirurgias em Bukavu, na região oeste do Congo, onde ficaram instalados. Lá conheceram o médico Denis Mukwege, palestrante no ciclo Fronteiras do Pensamento. O blog publica imagens do arquivo pessoal de Oliveira, especialmente cedidas pelo autor, sobre Mukwege e a República Democrática do Congo.
Senhores: a coisa é para cortar o coração. É impossível ler o texto e ver as imagens sem se inquietar. Por diversas vezes manifestamos nosso repúdio às ações exploratórias de um País sobre outro. Jamais deixaremos de fazê-lo, porque consideramos isso um dos fatos mais medonhos da história contemporânea: Assistir uma Nação enriquecer explorando outra é uma das maiores iniqüidades que a Humanidade pode produzir.
No caso da República Democrática do Congo (ex-Congo Belga) a História relata fatos impressionantes. Os belgas, sob a regência do Rei Leopoldo II se instalaram na região por volta de 1878 e, anotem, só largaram o osso em 1960 (mesma data em que os franceses largaram o osso do outro Congo, o francês). É triste dizer, mas conhecendo a forma de relação dos exploradores europeus com os explorados africanos fica claro, muito claro, como essas nações enriqueceram tanto.
Convém lembrar que enquanto os europeus brigavam entre si, no próprio continente, buscando domínios territoriais, políticos e de mercado as coisas não andavam bem prá eles. Verificaram a burrada e a partir dessa observação, pararam de autodestruir material e humanamente. Para se ter idéia, em uma dessas guerras entre Alemanha e França ou foi Inglaterra e França, morreu quase a metade da população de cada país. Constatado isso, miraram outro Continente, o africano, com imensas áreas territoriais e riquezas subterrâneas espetaculares [ouro, diamantes, cobre, etc.], além de povos primitivamente armados que se constituíam em presas fáceis de serem conquistados e dominados. Partiram prá cima da África e se deram bem. Como se deram…
As investidas dos anglo-saxões, normandos, escandinavos e o diabo a quatro sobre o continente-vítima (a África) foram verdadeiras festas de arromba. A maior parte desses domínios se entendeu de 8 a 10 décadas (100 anos). Tempo suficiente para que os exploradores saíssem de lá com os baús cheios. Assinale-se ainda que depois de se empapuçarem explorando os africanos e outros (não nos esqueçamos da ladroagem da Inglaterra na índia e Hong Kong) os europeus fizeram uma notável Poupança Interna e nunca mais brigaram entre si. Ao contrário, procuraram unir forças para se robusteceram em um Mercado Comum. Neste ponto acertaram em cheio. Ao contrário dos nossos irmãos africanos que padecem até hoje sob a desunião.
A sensação é que depois de terem ido embora os “brancos” plantaram sementes de eterna discórdia no território africano. A germinação dessas sementes belicosas se espalhou por plantações, campos e construções, multiplicando ódios que atingem dos menores aos maiores latifúndios territoriais e mentais. É briga por todo lado. Genocídios e mais genocídios. Ninguém se ouve, se fala, se entende. Exceção para a África do Sul, que teve sorte em brotar sementes da qualidade de um Nelson Mandela.
O dado concreto – para usar uma expressão do senhor Lula – é que a África esperneia sob o peso de imensos bolsões de miséria. Todos os tipos de miséria: Política, social, econômica, patrimonial, moral, filosófica. O grande Mandela está em fim de carreira e o seu exemplo unificador não parece sensibilizar boa parte dos irmãos africanos. Eles não compreendem que quanto mais brigarem entre si, mais fracos ficarão. O mal onde está? Estaria apenas na desunião? Os europeus e os norte-americanos ao invés de gastarem 3 ou 4 trilhões de dólares em guerras ridículas, deveriam, em nome da boa geopolítica e do deus Mercado, destinar esses recursos para a explorada África. Seria até bom para esses gananciosos. Incorporariam aos seus interesses uma massa de consumidores que beira a casa de um bilhão de habitantes. Desse número, expressiva maioria encontra-se excluída da exuberância do consumo. Quanto mais se diminuir a distância entre ricos e pobres talvez seja possível um Mundo melhor. Insistimos nessa idéia e reiteramos que o Planeta precisa de reparos urgentemente. Somos fiéis a essa reflexão… Ou será que estamos errados?
segunda-feira, 5 de julho de 2010
Luiz Antônio Araújo conta uma história

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| Da esquerda para direita: Reitor da UFRGS Alexandre Neto, Denis Mukwege, Milton Paulo de Oliveira. |
Vai um homem a cavalo pelo interior de Torres. Trabalha para a Comissão Rockfeller, órgão do governo americano destinado a promover a saúde na zona rural, onde vive a maioria dos brasileiros naquele início de século 20. O viajante não é médico nem enfermeiro, mas por força do ofício leva na bagagem um microscópio e remédios contra vermes.
De passagem por uma venda de beira de estrada, o cavaleiro assiste a uma briga. São muitos os motivos pelos quais se mata e morre em briga de bolicho – vingança, dívida, jogo, mulher –, mas a cena final é, invariavelmente, a que o viajante tem diante de si: um homem agoniza no chão de terra, o abdome aberto num talho, vísceras derramadas. Há correria, gritos e choro.
Incapaz de prestar atendimento adequado, a muitas horas de viagem do médico mais próximo, o recém-chegado decide fazer um último favor à vítima e aos familiares que em breve irão enterrá-la. Limpa o ferimento com água e creolina, recoloca as vísceras na cavidade e costura o talho com agulha e linha fornecidas pela dona da venda. Tempos depois, de passagem pelo lugar, pergunta pelo morto a um homem que fuma na porta do bolicho. O nativo olha-o e diz:
– O morto sou eu!
Acabo de ler essa história no livro Abrindo a Porteira, no qual o engenheiro agrônomo Zacheu Canellas narra mais de 40 anos de atividade extensionista no campo gaúcho. O homem a cavalo era seu pai. Exímio contador de causos, Zacheu assinala que o socorro na hora certa, com os meios disponíveis e uma dose de sorte, pode salvar vidas.
Ao ouvir o médico Denis Mukwege, que esteve em Porto Alegre na semana passada como convidado do ciclo Fronteiras do Pensamento, pensei na história de Zacheu. O relato de Mukwege sobre seu país, a República Democrática do Congo, deixa os que o ouvem com a respiração suspensa. Ele conta que, antes da independência, o rei Leopoldo II, da Bélgica, punia com o corte da mão os congoleses que não coletassem determinada quantidade de látex. Diz que o conflito atual no país, que já dura 10 anos, não é por poder ou religião, mas pelo controle de lucrativas minas de coltan e cassiterita. Lembra que o continente africano recebe 1% dos recursos mundiais de saúde, mas suporta as maiores taxas de mortalidade. Informa ter ouvido de um colega americano que o custo de uma cirurgia nos Estados Unidos poderia sustentar um hospital de 450 leitos por um mês na África.
Um dos saldos da passagem de Mukwege pelo Brasil é que a UFRGS alinhava um projeto de colaboração na área da saúde com instituições congolesas. É uma iniciativa quase simbólica. A universidade segue o mandamento do viajante de Torres: agir com os recursos à mão. Esperar pelos governos ou por eventuais “pais dos pobres”, nesse caso, pode caracterizar omissão de socorro. Em tempos de vida artificial e second life, nada mais salutar do que impedir que seres humanos pereçam.
Publicado no Jornal Zero Hora em 05 de julho de 2010
Luiz Antônio de Araújo, editor do Caderno Cultura ZH
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
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No Coração da África Slideshow: Milton’s trip from Caracaraí, Roraima, Brasil to 2 cities Porto Alegre and Bukavu was created by TripAdvisor. See another Brasil slideshow. Create your own stunning free slideshow from your travel photos.
Marek Cihar´s preview film about Congo
Congo from Marek Čihař on Vimeo.

